A Balança Que Sussurra
O silêncio da madrugada esconde mais do que a escuridão. A Tarde Moribunda A luz do fim de tarde se esvaía como um suspiro cansado, pintando o parquinho abandonado com tons de cinza e roxo. Eu sempre me sentia atraído por esses lugares esquecidos, especialmente quando o mundo começava a se recolher para a noite. Havia uma beleza melancólica nas estruturas enferrujadas, no balanço solitário que parecia preso em um eterno lamento. Mas havia algo naquele parquinho, algo que sempre me prendia. Era a balança. Não um balanço simples, mas uma daquelas que têm assentos de cada lado de um poste central. Ela estava ali, imóvel, no centro do espaço vazio, como um monólito silencioso. O silêncio ao redor era quase palpável, denso, como se a própria terra prendesse a respiração. O Chamado da Criança Foi então que ouvi. Um som fraco, quase imperceptível, carregado pelo vento que começava a soprar. Parecia o choro de uma criança, ou melhor, um pedido. Um murmúrio distante que soava como: 'Embala-...